14 janeiro 2014

Pelo fim do direito de ir e vir.


Se tem um assunto que adoro escrever é a partida. É, a partida do verbo "partir" mesmo. E logo as voltas. As idas e vindas. A vida em si como uma despedida. Acho clássico e tanta gente já falou sobre isso que virou rotina, somos escravos da solidão controlada por um trem que sai da estação, um ônibus as 6h40 no dia 20 que some em um horizonte distante levando consigo uma história e um romance. Hora somos vítimas, hora culpados, não se sabe quando e nem onde, mas há sempre um ponto que tentamos transformar em vírgula pra não dizer que doeu, pois não é fácil deixar e menos ainda ser deixado. Por outro lado a despedida é algo mágico, acontece com ou sem aviso e é sempre tão polêmica. Faz cena, gera escândalo, chororô e sempre machuca alguém... Ou alguns. Na maioria das vezes eu era o minúsculo grupo que ficava, os que esperavam e não os que partiam e por isso tenho pavor de dizer "tchau", fiquei tão complexada com a quantidade de gente que foi embora da minha vida que quando sou eu, antes de chegar nessa parte já vou logo argumentando que volto assim que der, nos piores dos casos que seremos amigos- mas essa não cola mais, eu só finjo. Fingir faz parte do pacote. Meu primeiro grande trauma foi na infância, eu morava em um bairro ridiculamente pequeno que pra mim era o mundo inteiro. Tinha 10 anos e era feliz, feliz só por poder brincar até as 23h na rua de casa e contar histórias sobre lobisomens pra depois chorar de medo na hora de dormir. Eu estava bem. Tinha amigas que moravam do lado de casa, um quintal e um pé de amora. Queria mais o que? Só que um dia... Um dia eu vi malas no corredor e minha mãe rodando pra lá e pra cá. Era ansiedade. Me olhou e parou de olhos semicerrados como se eu  fosse fazer qualquer movimento em falso. "Você não se preocupa?", eu disse que não tinha entendido e ela "tomara que você não sinta falta". Falta? E ela continuou pegando tudo pelo caminho, separando por cores pra depois guardar em caixas. Dois dias mais tarde veio a falta. Essa amiga da despedida, ou seria inimiga? Fui pra uma cidade com mais ruas e mais gente. E mais falta. Nesse dia chorei tanto que senti tudo tão vazio e esfomeado, mas eu não queria comer. Estava de greve. Greve porque me tiraram do meu cantinho lá no fim do mundo sem eu nem ter feito nada. Injustiça. Mas e a cidade nova? Era legal- ainda é. Foi cenário de tantos dramas que perdi a conta. O que foi ótimo para que eu aprendesse que as coisas vem e vão, mas nunca vem em vão. Dizia Antônio. Antônio é aquele cara dos guardanapos, sabe? Ele fala tão bem de despedidas que fico me perguntando por quantas ele já passou e como ele superou, pois é impossível falar de algo que não se tenha sentido. Por isso eu vivo falando de amor, mas isso são outros quinhentos. Meu segundo grande trauma foi aos 14 anos- fiquei bem um bom tempo- mas prefiro não falar. Depois tudo veio como uma avalanche e eu era só uma bola de neve que crescia e crescia, crescia e ainda ficava vazia. Sim, despedidas são vazios que nos enchem, é como se estivéssemos carregando algo que nem ao menos existe e ainda assim é pesado. A vida é ingrata e cheia de controvérsias mesmo, mas precisamos nos adaptar a elas para que sejamos os fortes que sobrevivem. E além do mais, querendo ou não, o tempo passa. Rápido e devagar, devagar e rápido, como os batimentos que se alternam. Leva e traz como o mar que molha toda a areia, então a mesma tenta secar-se ao sol, mas a água volta e molha tudo de novo. Assim são as idas, quando tentamos nos recompor sempre tem alguém que volta. Mesmo que por um instante, mesmo que por apenas um encontro do acaso. Viver é um círculo vicioso.

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12 comentários:

  1. Sabe quando a gente começa a ler um texto e de repente todo o mundo não existe mais? Só você e a leitura que te descreve no momento... Lindo, queria eu escrever assim haha
    Beijos menina e eu super amei teu blog <33
    www.feitolua.blogspot.com

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    1. Cara, comentários assim fazem meu dia, mês, ano, vida toda ahuahua fico me sentindo e super feliz. Obrigada pelos elogios e volte sempre por aqui <3

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  2. Sou/amo textos corridos em um único bloco <33 acho eles tão mais poéticos, como se tudo tivesse sido 'cuspido' em um fôlego só, como se você tivesse com isso guardado no seu peito por tanto tempo e de repente resolve colocar tudo pra fora de uma vez só haha pode parecer viagem, mas também são os textos que eu mais gosto de escrever. me identifiquei bastante com o assunto e achei beeeem atual (aliás, DUVIDO que um dia esse tema deixe de ser atual e recorrente na vida da gente né??) bem inspirador <3

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    1. Eu sou textos assim da cabeça aos pés auhauahu <3 Não consigo me identificar com outro gênero como esse, é como se me descrevesse em tudo, em cada linha. E é exatamente tudo isso que você descreveu, eu vou escrevendo e desabafando tudo que sinto e ai dá nisso, essas coisas loucas ahuahha

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  3. eu por acaso já disse que amo seus textos ? acho que, esse tipo de texto é aquele que nunca sai de moda, se é que posso colocar assim, vai ter sempre alguém se sentindo assim e sentindo necessidade de escrever sobre isso. Me identifico muito com seu texto fran, parabéns pela escrita maravilhosa.
    beijos

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    1. Apesar de ser suspeita, eu concordo ahuahua <3 Obrigada, Dani.

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  4. Poxa, queria eu ter um pé de amora em casa </3 Nem sempre é fácil de se adaptar a uma partida, principalmente quando é a primeira vez que perdi a melhor amiga, depois da quarta série e até hoje procura por ela no facebook, e logo no próximo ano é obrigada a mudar de escola, e no terceiro do ensino médio é obrigada novamente, não por algo tão serio, mas simplesmente porque todos te tiveram que partir.
    Beijos Fran, gosto muito dos seus textos ♥

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    1. Cara, eu me teletransportei pra tua vida e senti tudo isso :O AHUAHUAHAU sai daqui com esses transmimentos de pensação HAUAHUAHUAHUAH

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  5. Gente, eu chorei na última frase. As vezes as pessoas falam coisas que não temos coragem de dizer né? Lindo texto ♥

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  6. Oi Fran, que texto mais lindo hein. A vida é um eterno "idas e vindas" e confesso que às vezes não sei lidar muito bem com isso, um dia aqui, outro bem distante. Pessoas que se vão, outras que chegam, e que às vezes não conseguem nos conquistar da mesma forma, ou nos conquistam mais e depois se vão também... Parabéns pela crônica <3 Beijos, Érika *-*

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    1. É um eterno ponto de partida e nós precisamos nos adaptar a isso rs eu não sei se sei lidar, mas tento rs Obrigada pelo elogio, Érika <3

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