10 outubro 2013

Efeitos do Destino- Parte 16

Voltei pra casa desolada e decidida a falar com a minha mãe, ela era minha família e a única no mundo que podia me ajudar. Entrei na sala e ela gritou:
- Quem é?
- A única pessoa que vem nessa casa- respondi fechando a porta e fui até a cozinha.
Ela estava olhando um caderno de receitas e eu sentei no balcão.
- Desce daí. – ordenou.
- Você vai cozinhar? – perguntei cética, ela não sabia nem fazer café.
- Vou. Quero fazer algo especial e tenho algumas horas pra aprender – ela estava com uma expressão satisfeita.
- Por que? Que dia é hoje? Não é meu aniversário, o seu é em junho, não é feriado e nem nada. 
- Querida, tenho visita. – respondeu. Ah, eu já devia ter imaginado.
- Quem? Suas amigas nem moram em Oxford e ah meu Deus... Você achou um namorado novo? – fiquei apavorada.
- Querida, o nome dele é Robert e você vai adorá-lo, ele trabalha no mesmo ramo que eu e nós nos conhecemos na última viagem que fiz, mas só agora resolvemos nos dar uma chance e enfim, ele vem hoje e você precisa se comportar. – afirmou sorrindo e seu sorriso dizia muito.
- Ah não, eu passei anos conhecendo seus namorados e hoje não vai dar. Além do mais eu não sou nenhuma vidente, mas sei que não vai durar. – não quis ser grosseira, mas era a verdade.
- Não seja grossa. – e finalizou a conversa voltando para o caderno.
- Mãe, eu queria muito conversar com você. – quanto mais eu adiasse pior. 
- Aham. Pode ser depois? Preciso ir ao mercado. – ela nem me olhou.
- Mas mãe...
- Lauren, o mercado lota depois do almoço e você tem todo o tempo do mundo pra reclamar da vida, só que mais tarde- ela me deu um beijo no rosto e saiu.
Ok, agora eu só tinhas minhas amigas e nenhuma outra opção. Pensei nos prós e contras de contar a novidade a elas. Cath ficaria do meu lado e Jennifer me julgaria, isso era previsível. Mas eu precisava tirar aquele peso da minha cabeça e como o Andrew havia saído pior do que imaginei, pedi a Jennifer que viesse em casa para conversarmos e em 15 minutos ela chegou.
- Qual é a boa? – perguntou entrando em casa com um refrigerante na mão.
- Aconteceu uma coisa comigo e preciso da sua ajuda. – disse tentando acalmar meu nervosismo.
- O que? Você matou alguém e escondeu o corpo no quintal?- e tomou um gole.
- Não. Você anda assistindo CSI mais do que devia. – sorri- Presta atenção, eu imploro que fique a meu favor.
- Tá, agora estou preocupada. 
- Eu estou atrasada. – esperava que ela entendesse o código.
- Você sempre foi atrasada, isso é normal. Já disse pra andar mais comigo- brincou.
- Jen... Atrasada. Menstruação. – fiz uma cara de reprovação.
- Como assim?- ela engasgou no último gole de Coca.
- Não sabe o que acontece quando se está atrasada?- ela realmente não entendera o código.
- Sei lá. É errado?- ela fez uma pausa e pensou- Lauren, não me diga que...
- Eu estou grávida- me perguntei quantas vezes repeti a mesma frase desde a hora que tinha acordado.
Jennifer parecia que havia sido baleada e por alguns instantes ela ficou me olhando com a mão na boca.
- Você fez o teste?
- Fiz, mas queria te perguntar se é confiável...
- Eu nunca fiz, mas dizem que é. – ela afirmou.
- O que eu faço? – perguntei com lágrimas rebeldes voltando.
- Você falou com o Andrew?- ela sempre ficava cautelosa ao citá-lo.
- Falei. Ele me pediu com a maior cara de pau que eu abortasse. 
- Amiga, - ela levantou e foi sentar ao meu lado- eu posso ser sincera?
- Foi pra isso que te chamei.
- Não existem muitas opções. Você deveria considerar essa hipótese- OI? Era isso mesmo que eu estava ouvindo?
- Não tem graça, Jennifer. 
- Mas não é pra ser engraçado. Faça um balanço da sua vida, acha possível ter um filho agora? Você nem começou a faculdade e sempre quis cursar Arquitetura. Com uma criança será tudo mais difícil... – ela tentou me aconselhar, porém eu entrei em pânico e comecei a gritar.
- QUAL O PROBLEMA DE VOCÊS?- levantei e fiquei de frente com ela- Eu não posso tirar uma vida e me recuso a acreditar que você esteja me falando essa merda. Achei que ficaria do meu lado, mas ah, esqueci, você é a Jennifer e sempre opta pelo mais prático. – despejei com toda a ignorância as palavras pra cima dela.
- Lauren, acalme-se. Eu só acho...
- Eu não quero saber o que você acha se estiver relacionado a aborto. Não quero. – eu estava em crise chorando.
- Ok. Você está nervosa, é normal. Afinal, ninguém sai pulando de felicidade com uma gravidez tão imatura. Mas como sua amiga, esse é meu conselho. Um filho? O que é um filho? Um filho é sinônimo de dinheiro, ou melhor, gastos.
- Eu estou tão perdida. - interrompi- Queria que alguém me entendesse. Acho que o Andrew não vai assumir, pela cena que ele fez é o mais provável que ele suma da minha vida em meio minuto e não queira saber dessa história. Não pude contar a Mirele, mas ela vai me matar mesmo e quem sabe me enterre no quintal. Jen, eu não quero tirar. Não quero tirar meu filho- e abracei minha barriga em um papel ridículo.
- Ele é só uma coisinha pequenininha. Não é uma pessoa. – ela tentou me explicar.
- Você não pensa? Tem uma vida aqui. - foi a coisa mais sem escrúpulos que já havia ouvido e precisava que Jennifer mudasse de ideia.
- Ainda não. Só se você permitir que ele cresça e eu acredito que a ideia do... Você sabe. É a melhor saída agora. Pense no seu futuro. Você estava ansiosa pela carta da universidade, e se chegar? Você vai estudar grávida? Sabe como é difícil uma gravidez, não sabe? Você vive assistindo novelas e programinhas femininos, deve imaginar. Pense na sua vida e nos problemas que isso irá te causar. – me irritei quando ela se referiu ao bebê como “isso”, ele não era um objeto.
- Eu já pensei- limpei as lágrimas na manga da blusa – Se você puder me deixar sozinha. Daqui a pouco minha mãe volta e não quero que ela saiba ainda.
- Lau... Tudo bem. Só peço que reflita. – Jen levantou e foi em direção a porta, pediu que eu ligasse e me lançou um meio sorriso antes de sair.
Foi péssimo contar a ela primeiro. Embora eu soubesse desde o início que ela seria radical, não pensei que fosse me impor a mesma atrocidade que Andrew. O que me fez lembrar de suas palavras furiosas falando do bendito “aborto”. Qual era o problema do mundo? Ninguém mais tinha sentimentos? A próxima opção era contar a Cath, não por vontade, mas porque Jennifer contaria de uma forma ou de outra. 
- Alô, Cath? - estava de dedos cruzados para que fosse ela no telefone.
- Sim. Jennifer ou Lau? - disse rindo.
- Lau... Você está ocupada?
- Na verdade não, estava com a minha mãe no jardim, mas já terminamos. O que foi?- perguntou desinteressada.
- Cath, eu preciso conversar contigo. Posso ir até ai mais tarde?
- Claro. Só me avise antes de chegar, ok? Espera, é sério?- agora ela mostrava interesse.
- Mais ou menos... Mas chegando ai eu te conto. Me espere depois do almoço.
- Não pode me dar uma dica do que é? Sou curiosa.
- Não posso, Cath. É complicado, prefiro contar pessoalmente- tentei convencê-la.
- Quanta maldade, hein. Mas entendo, você tem esses surtos as vezes mesmo, estou acostumada- ela riu para disfarçar que estava realmente curiosa. Te espero aqui... Venha logo pelo amor de Deus senão vou até ai e te obrigo a me contar, tenho certeza que é uma fofoca daquelas.
Quando se tratava de fofocas, Cath se empolgava. Fiz com que ela se acalmasse e desliguei depois de prometer duas vezes que não demoraria para chegar em sua casa.
Eu só tinha a Cath, só ela poderia me ajudar com o coração enorme que tinha, de maneira alguma ela poderia impor a morte de um bebê, essa era a Cath boa que eu conhecia desde sempre. Mas antes de qualquer passo, precisava decidir o maior deles, falar com o Andrew e ver o que ele havia decidido. Andrew me amava, disso eu não duvidava. Ele só havia passado por um susto, iríamos dar um jeito e criar nosso filho, construir uma família e passar por tudo juntos, porque "juntos" é algo tão lindo de se dizer e viver. Ele já devia ter passado da mini crise e me entenderia. Tinha certeza.
Tentei ligar pra ele, mas deu na caixa postal em todas as tentativas. Pensei que Andrew não queria falar comigo, mas era típico que ele esquecesse o celular desligado. Deixei uma mensagem de voz pedindo que me ligasse e cruzei os dedos para que ele retornasse, ou eu iria me sentir obrigada a ir em sua casa novamente.
Deixei o aparelho em cima da mesa e sentei no sofá de barriga pra cima acariciando-a levemente, tinha um ser crescendo dentro de mim e isso era esquisito e mágico ao mesmo tempo. Fechei meus olhos me concentrando na massagem que fazia e tentei pensei em algum nome... Elizabeth.
- Se for menina, será Elizabeth. - falei para a minha barriga e sorri sozinha.

Continua.

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8 comentários:

  1. Ai meu Deus eu não li as outras 16 partes!! Vou ficar desesperada, porque eu gostei muuuito desse texto e agora eu quero ler os anteriores para entender melhor... Parabéns pelo seu talento, sério, vocês escreve super bem! Continue por favor haha

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    1. Leia as anteriores, aposto que vai curtir <3 hauahaua
      E obrigada Vanessa, de coração mesmo!

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  2. "Você anda assistindo CSI mais do que devia" escreveu pensando em mim U_U não nenhuma vida não u.u só depois de 4 meses é vida, então dona Lau para de drama e tira logo u.u Quando continua? Não que eu queira ler muito muito muito logo, não é isso u.u é só uma pergunta kkkkk Beijo

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    1. Ai, pior que foi mesmo AHUAHUAHAAHUAHAHUA é vida sim, desde quando é uma sementinha u_u Continua amanhã lalalalala Tá se matando de curiosidade querendo ver o Andrew né safada.

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  3. Genteeeee não tira! Não tira! O filho tem ligação com a mãe antes mesmo de estar na barriguinha dela, quando ocorre o aborto a criança, sente dores... pois já esta ligada ao feto - pelo menos essa é minha visão como espirita. Gente e mãe dela?? Será que vai reagir igual aos outros?? OMG Vem logo 17 o/

    Beeeeijão

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    1. Também penso assim, e que legal você ser espirita também ahuahuah <3 Mas não sei se a Lauren pensa da mesma forma né :( hauhauha

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  4. Ainda não conheço os outros episódios, agora fiquei mega curiosa... vou ter que ler todos para entender o contexto né rs Mas como todas as meninas, também estou muito ansiosa pela continuação *-* beijos

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    1. Leia ou outros e me conte o que achou *-* ahuahauhaua Logo logo posto a cont.

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