05 outubro 2013

Efeitos do Destino- Parte 15

Só que não era bem assim. Já dizia minha mãe que nem tudo nessa vida são flores e realmente não é. Depois daquele dia comecei a gostar mais do Andrew do que em todo o tempo que o namorei e não sabia se era pela noite da festa ou se havia descoberto que amava Andrew desde sempre e não tinha percebido por estar ocupada demais brigando. No começo foram mil maravilhas, éramos como O casal e eu me sentia realizada, completa, feliz, todas as sensações boas em uma pessoa só. Ele fez de tudo para passar a maior parte das férias comigo, apesar de continuar indo ao tratamento com seu pai. Levou-me para Londres em um fim de semana romântico e se tornou mais atencioso de uma hora pra outra e até me mandava mensagens durante a tarde como nunca havia feito. Tudo caminhava bem, mas pouco tempo depois da noite na Old Fire e do “grande acontecimento”, veio a notícia. Foi em uma manhã de segunda-feira após a formatura em que eu recebi o diploma e todos estavam felizes por finalmente ficar longe do colégio. Era janeiro, havia passado o ano novo com minha mãe e renovado minhas promessas e planos para aquela nova fase. Nada podia dar errado. Eu aguardava a minha carta da Universidade ansiosamente e já havia planejado a expressão que faria caso viesse um “aprovado” escrito em letras desenhadas e em itálico. Nada podia dar errado... Mas eu acabei sendo aprovada em outro tipo de teste. Não veio em um envelope elegante e muito menos em letras bonitas, eram dois traços vermelhos. Após seguir o procedimento que mandava a bula do teste de farmácia, vi meu mundinho quase perfeito desmoronar e ficar menos perfeito ainda quando surgiram aqueles dois tracinhos perturbadores que me davam a certeza de que estava grávida. Permaneci paralisada no banheiro pelo tempo que parecia uma semana inteira, queria chorar, gritar, pular da janela, me matar. Porém o trauma era tão grande que não pude fazer nada além de continuar encarando o nada. “O que eu faço agora?” me perguntava desesperada. Tentei calcular mentalmente quanto tempo estava. Tive várias noites de amor com Andrew e não sabia em qual delas nós nos esquecemos da camisinha. Talvez fosse a noite da festa, mas Andrew me assegurou naquele mesmo dia enquanto me levava para minha casa que havia colocado o preservativo.
- Eu não iria me esquecer disso, né- ele disse com convicção.
Mas então, quando? Onde? Por que justo comigo? Eu tinha tantos planos. Tantos sonhos. Tantas coisas que devia fazer naquele momento e não sabia por onde começar. Pensei em ligar para a Cath, em acordar minha mãe e contar, em chamar a Jennifer e perguntar se o teste era bom e pedir que ela fosse comigo comprar outro, mas a única decisão certa a tomar era falar diretamente com o Andrew. Coloquei a primeira roupa que encontrei e sai apressada, mesmo que ele morasse longe, não percebi o quanto andei até parar no portão ofegante. Liguei para o seu celular e ele atendeu no quarto toque:
- Oi Lau.
- Preciso falar contigo. Estou aqui no portão e por favor, não demore. – supliquei.
- Aconteceu alguma coisa? Você nunca vem sem avisar antes... – ele desconfiou.
- Andrew, estou esperando- e desliguei o celular. Os minutos seguintes demoraram uma eternidade até que vi Andrew de longe e bota longe nisso, a mansão ficava a mil quilômetros do portão principal. Enquanto ele vinha até mim, pensei em como começar a contar, e nenhuma maneira era fácil. Sabia que Andrew iria ficar chocado tanto quanto eu. Queria chorar um oceano inteiro, mas precisava ser forte. Pelo menos até ele aceitar.
- Oi- ele se aproximou e me deu um selinho- Qual o problema?
- Eu não sei como começar nem quais palavras escolher pra dizer isso, mas... Eu, eu estou grávida. – se era pra contar, que fosse de forma clara e objetiva.
Andrew ficou com a boca aberta e sem reação, pedi que ele falasse algo senão eu iria ter um ataque do coração e ele respirou fundo antes da segunda tragédia no mesmo dia. Ele me olhou seriamente e disse “você tem certeza? É meu filho?. Sim. Ele disse com todas as letras e com a maior normalidade. Tive um instante de choque absoluto.
- Você tá brincando comigo?- perguntei irritada, mas torcendo que ele dissesse que era brincadeirinha.
- Lau, não pode ser. Nós sempre tivemos o maior cuidado e não, não pode ser. – ele colocou a mão na cabeça e olhou pra cima aflito.- Como você está grávida assim? 
- Bom, tecnicamente eu fiquei grávida “assim”, - ironizei- porque nós transamos. É meio óbvio.
- Ah, por favor, Lauren. Eu estou falando sério.
- E eu não?- perguntei.
- Eu não acredito que isso está acontecendo- nisso Andrew começou a andar de um lado para o outro inquieto. Claro, eu estava grávida e provavelmente continuaria grávida por um bom tempo, ganharia cinco quilos a mais e fora que minha vida social acabaria sem nem antes começar. Eu tinha motivos de sobra para entrar em pânico, mas era o Andrew que se desesperava. Segurei-o pelo braço e mandei que ele parasse de andar e me ouvisse. Disse que era dele, pois nunca havia transado com outra pessoa, visto que ele era meu namorado e caso estivesse pensando na hipótese de uma possível traição, eu iria arrebentar os dentes dele. Precisava ser rude.
- Mas não pode ser. Não é possível. O que vamos fazer?- não sabia se ele falava comigo ou sozinho, então esperei. – Lauren, você precisa tirar essa criança!
Tirar essa criança? Desacreditei que ele dissera “tirar” e “criança” na mesma frase. Ele falou como se o pequeno feto fosse um nada. Uma coisa sem importância que pudesse ser descartada sem mais e nem menos, sem ter culpa. 
- Desculpa mas... Você está brincando? De novo? – quis que saísse um tom de piada, mas o choro vinha a tona me entregando.
- Lauren, como vamos ter um filho agora? Temos só 18 anos e não podemos enfrentar tamanha responsabilidade. Escuta, meus pais conhecem médicos que podem fazer isso, eles não irão hesitar em nos ajudar. Até porque nenhum deles aceitaria e sua mãe... Sua mãe vai me esfolar vivo quando souber disso e depois matar você. Me escuta, tenha consciência. – ele me segurou pelo braço.
- Me solte- afastei-me dele já em lágrimas. Eu não queria acreditar naquela conversa monstruosa.
- Sei que a princípio parece ruim, mas será bem pior se levarmos isso adiante. Um aborto... – ele cortou a frase na metade e me encarou.
- O quê? Eu não posso. Isso... Isso é errado. - falei entre um soluço e outro. – Eu não vou abortar um bebê. Posso ser irresponsável na maioria das vezes, mas isso nunca. É horrível.
Ele cismou que era a melhor saída e tentou por horas me convencer daquilo. Mas eu o deixei falando sozinho e sai chorando pelo caminho de volta para casa. Um aborto. Um aborto. A palavra rondava meus pensamentos. Lembrei-me de uma aula que tivemos no ensino médio sobre o tema e como fiquei balançada com a falta de coração de certas pessoas. Era o mesmo que um assassinato e eu não era assassina, além do mais o bebê era parte de mim e do cara que eu amava. Sabia que éramos jovens demais para construir uma família e que ninguém iria nos apoiar, mas um aborto. Só de pensar na ideia já me sentia uma maluca.

Continua.
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8 comentários:

  1. Não basta não receber a melhor carta da vida dela, ainda tem que ta grávida KKKKKKKKKKKKKK ta pagando por ser muito chata u.u
    "Ele falou como se o pequeno feto fosse um nada." mas é um nada u.u acho que a Lau deve tirar sim ou ela poderia perder em um acidente de carro :D mais legal kkkk
    Continua logo u.u

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    1. essa Lauren sortuda como sempre AHUAUAHUAUAHAUHA ela é um amor, se liga ow u_u

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  2. aaaaaaaaaaaaah comaassim?? Ela não pode abortar :((((((((((((((((
    Cade, cade continuação???

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    1. Também acho que ela não pode abortar, mas nunca se sabe ahuahaha

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  3. Geeeeeeeeenteeeeeee
    Ela não vai abortar! Não vai, não vai u.u Vou bater nesse Andrew!
    Como ele pode oferecer essa hipotese? Nossa, tadinha dela gente ! AAAAAAAAH
    kkkkkkk
    Eu acho que vou ter um surto até o próximo! Por favor, me avise kkkkk

    Beijão

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    1. Esse Andrew tá muito doidão, né? Como pode pedir que ela aborte? ahauahuahua ai gente, me envolvo demais nos comentários llll

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  4. Não não , ela não pode abortar não gente O.o
    A se fosse eu dava era uns pelo de uns tapa na cara dele hehe
    ai meu Deus pode postar o resto agora ? to curiosa demais

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    1. ahuahauhauah ela devia dar uma surra nele mesmo, só acho :p

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