03 outubro 2013

Efeitos do Destino - Parte 14

O sol da manhã de domingo entrou pelo quarto e ao abrir os olhos senti uma forte pontada na cabeça. Ah, isso que era ressaca. Após alguns minutos me acostumei com a claridade e no primeiro momento não reconheci o lugar, depois vi que era o quarto do Andrew e levantei em um pulo. O que eu estava fazendo no quarto do Andrew? Olhei para o lado e ele estava dormindo. Tentei lembrar da noite passada, mas as lembranças paravam na hora em que estávamos... Meu Deus.
- Andrew, Andrew, acorde!!!- chacoalhei seu braço e ele virou sonolento.
- Bom dia. Que horas são? – disse sorrindo com os olhos semi abertos.
- Oito talvez, nove, dez, onze, não sei. Andrew...- parei no meio da frase- Aconteceu?
- O que?- ele limpava os olhos.
- Nós...- tentei fazer mímica para não falar.
- Nós o que? – ele colocou o rosto sob o braço e ficou me olhando, Andrew sabia do que eu estava falando, mas queria fazer uma cena antes.
- Nós... Nós transamos?- falei tão assustada que minha voz subiu.
- Acho que sim- ele sorriu e beijou meu rosto.
- Mas, mas, mas... Ai Andrew, eu não lembro de nada- a tristeza me invadiu.
- Você não queria que acontecesse?- perguntou aturdido.
- Queria, e queria me lembrar também. – sorri sem graça.
- É culpa sua
- Nós podemos fazer de novo e lembrar agora- disse começando a passar a mão na minha perna.
- Engraçadinho. Espera. Eu estou sem roupa, se sua mãe aparece aqui... – já estava em pé procurando meu vestido.
- Você pode pelo menos ficar feliz? – pediu.
- Feliz? Eu estou feliz, bem feliz. Ará, achei você- peguei meu vestido no chão perto do pé da cama e coloquei rapidamente.
- Mas não parece. E a culpa é sua se não consegue se lembrar, ninguém mandou encher a cara- ele riu deliberadamente- foi bom, porque eu lembro e foi bom. Ponto. Sabia que pela manhã costumamos acordar...
- O quê?- perguntei confusa.
- Acordar “feliz”. Se você quiser. – ele fez cara de safado e sorriu torto.
- Que horror, Andrew. Eu vou ao banheiro- e saí fazendo careta.
Entrei no banheiro o mais rápido possível e sentei no chão pensando naquele avanço importante, avanço que eu não lembrava de jeito nenhum. Minha primeira vez e eu nem sabia como tinha sido, o que eu tinha feito, me senti molestada. Minha cabeça pesava e meu estômago embrulhava. Ah, a ressaca de novo não.
Depois de passar alguns minutos encostada no vaso achando que era meu fim, Andrew veio ver o que estava acontecendo:
- Você costuma acordar antes das 8h em todos os domingos ou foi só hoje?
- Muito engraçado. Eu nem sabia que era tão cedo e fica ai no quarto, estou me sentindo mal e daqui um tempinho já estarei bem, ok. – disse antes que ele passasse da porta.
- Ta. Eu vou descer e pegar um café quente.
- E seus pais? – fiquei apavorada com a ideia dos Russell saberem que eu havia dormido com Andrew.
- Eles nem vão ligar. – respondeu para me acalmar. 
- Ah ta. Estamos falando da senhora Cameron e eu no mesmo perímetro. Não vai dar certo.
- Lau, minha mãe não é o diabo em pessoa, sabia?- perguntou em tom de desaprovação.
- Se você tá dizendo, então tudo bem. - não houve resposta. Eu estava sozinha. Levantei e olhei meu rosto no espelho, estava com os olhos borrados, mas havia algo diferente. Procurei por um algodão e lavei meu rosto tirando a maquiagem, quer dizer, o máximo que consegui tirar. Penteei meu cabelo rebelde com as mãos e senti falta de um grampo para prender a franja. Não conseguia deixar de me olhar no espelho e pensar que minha primeira noite tinha sido com o Andrew. Eu o amava e depois daquela noite não duvidei que ele me amava também. 

Continua.

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