12 setembro 2013

Conto: Efeitos do Destino - Parte 7

- Achei que não viria mais aqui, faz tempo que não a vejo.- Que abusada. Vi todo o cinismo explícito naquela frase e desejei que ela nunca tivesse aparecido. Pensei nas probabilidades de uma fuga a fim de que não precisasse falar com aquela loira tingida com 10 quilos de botox no rosto, parecia a Meg Ryan mais velha. Mas eu sempre pensava em fugir, escapulir, sair correndo e derivados, não podia continuar com isso e precisava encarar as pessoas nem que minha voz subisse uns três tons na hora de falar:
- É que andei ocupada nos últimos dias e a senhora sabe como é,- tentei sorrir, mas soaria falso- provas, fim de ano, é a vida.
- Entendo. O Andrew subiu?
- Aham. Já deve estar voltando.- dessa vez consegui sorrir, mas de alívio.
- Bom, eu estou de saída. Fique a vontade.- ela saiu desfilando com seu scarpin fazendo toc toc toc no chão de taco e eu fiquei morrendo de vontade de imitá-la, mas a Olivia estava logo atrás e apesar de sermos amigas, nunca se sabe. Virei para cumprimentá-la e... O que as pessoas dessa casa tem de errado? Havia sumido também. 
- Vamos lá, amor. 
- Que susto, não faça mais isso. - eu falei que tinha algo errado nessa família.
Fomos para a sala de jantar e o prato era um cauliflower cheese horroroso que eu devia ter jogado debaixo da mesa, mas comi para não fazer desfeita. - Depois daqui vamos dar uma volta?
- Huuum, - limpei a boca e tomei um pouco de suco- não posso, tenho uns afazeres e preciso ver minha mãe.
- Ah, para com isso. Você tem o dia todo para vê-la.
- É que ela vai viajar.
- Por que?
- A trabalho. 
- O que ela faz mesmo?
- Você sabe que eu não sei.- rimos um pouco e logo saímos da mesa. A caminho do quarto dele não resisti a piada- olha, depois preciso comer um lanche. Aquele brócolis acabou com o meu estômago.
- Reclama de tudo mesmo, dai-me paciência. 
- Desculpe, esqueci que você prefere que eu morra de fome e fique doente.
- Fica quieta, reclamona.- ele me pegou no colo e saiu correndo escada acima, andou pelo corredor imenso e abriu a porta do último quarto, andou mais meio metro e me jogou na cama.
- Idiota. 
- Você me espera tomar um banho rápido? Te levo em seguida.
- Ok. 
- Ou você pode tomar o banho comigo, tem umas peças suas aqui e vai ser tão legal... Vamos, vamos.- ele pulou do meu lado na cama e começou a fazer cócegas, estava perdendo a respiração quando alcancei o travesseiro e joguei na cara do Andrew.
- Sai daqui, amor. E não demore.
- Hum.
- Sem essa. - odiava essa mania de forçar o meu consentimento com uma cara triste. - Vai logo, vai.
Ele saiu falando com o vento e eu relaxei na cama. Fechei os olhos e me lembrei do show de uma banda local quando conheci o Andrew, estavam tocando o cover de "If God Will Send His Angels" do U2 e eu adorava essa canção. Todo mundo estava extasiado com uma coisa estranha que se sente em shows e eu me vi balançando pra lá e pra cá enquanto a Jen beijava um cara que ela nem conhecia. De repente fui empurrada para frente com um pouco de força e em seguida pega pela braço por alguém:
- Mas que porcaria é essa?
- Desculpe, cara. Eu estava atrás de você com meus amigos e...
- O quê?- eu não estava ouvindo o que o aquele imbecil falava, nem conseguia ver seu rosto direito. O que significava que eu não poderia bater na cara dele.
- Des-cul-pa.
- Tá. Me solta. - puxei meu braço com força.
- Desculpe.
- Chega de desculpas, ok. Está tudo bem.
- Mas... Tem certeza?
- Oi?- tinha ouvido, mas queria encerrar o assunto.
- Nada. Mais uma vez, desculpe-me.
Sorri com desprezo e continuei aproveitando o show, mesmo que estivesse irritada com a situação. Uns trinta minutos mais tarde o show acabou e eu saí a procura da Jennifer até encontrá-la do lado de fora do pub em uma cena constrangedora.
- Depois você continua com isso. Vamos embora.
- Amiga, esse é o...
- Kevin, prazer. - o garoto era alto e usava um gorro verde, até que dava para encarar. 
- Oi e tchau. Vamos, Jen. Quanto você bebeu?
- Eu não bebi nada, só umas doses de alguma coisa que brilhava. O que era mesmo Ke...?
- Kevin, meu nome é Kevin.- ele estava ficando impaciente e eu também.
- K-E-V-I-N. Foi isso que eu disse.- ela ria como se fosse tudo engraçado. Jennifer não podia sair de casa e ficar sem ninguém por perto, conseguia cair na bebida e acabar com a noite.
- Vamos pra casa, ok? 
- Mas está tão cedo e...- antes que eu pudesse dizer que já eram quatro horas da madrugada ela virou para o lado e vomitou. Parte de mim queria deixá-la sozinha para não passar por mais essa vergonha, mas meu lado super amigável ordenou que eu a ajudasse:
- Temos muito o que conversar. - fiz um rabo de cavalo no cabelo dela e novamente ela jogou tudo pra fora, senti a náusea chegando e olhei para a estrada para disfarçar o mal estar. Havia três caras tentando empilhar latinhas na calçada e rindo como se fossem crianças, analisei-os por um momento até que um deles me viu e eu abaixei a cabeça. 
- Oi, precisam de ajuda?
- Não. Posso dar um jeito nisso e ela tá bem.- quem era o cara bonito falando comigo? Procurei na minha mente todas os rostinhos bonitos de Oxford e não o reconheci.
- Lembra de mim? Eu te empurrei lá dentro, sem querer. - Pronto. Acabara o encanto.
- Ah. Quer que eu me levante para que me empurre novamente ou já acabou o joguinho de empurra-empurra?
- Na verdade, foi sem querer...
- Foi uma piada. - além de tudo não entendia nada. Que noite.
- Eu sei. Me chamo Andrew. - estendeu a mão e sorriu. Mas ao ver que eu não dei bola, ele voltou na pose anterior. 

Continua.


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15 comentários:

  1. Adorei o conto querida, pena que eu só descobri seu blog agora, assim que puder lerei os outros.

    Seguindo aqui

    http://pamlepletier.blogspot.com.br/

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    1. Mas ainda bem que descobriu e gostou rs <3
      Segui o teu também :)

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  2. Adorei. Você escreve muito bem.
    Seguindo, abraço.

    caferesia.blogspot.com

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    1. Obrigada <3 Visitei teu blog e amei teus textos e já segui!

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  3. Gente que não entendi a piada <3 continua e obrigada k Beijoos

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    1. quando só vai a metade do comentario -.- mas enfim...
      "Gente que não entendi a piada <3 Muito o meigo o jeito que se conheceram <3 Lau está muito agressiva, precisa tomar uns calmantes u.u . Kevin.. é tão... nome de pombo (?) kkk mas eu gosto do nome. continua logo, muito obrigada k Beijoos"

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    2. Ela está sendo uma bitch, né ahuahuahuauha coitada, amo ela <3 kkkk Nome de pombo? kkkk Pra mim é nome de coelho u_u

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  4. Kevin.. é tão... nome de pombo/coelho (?) IAUSHIUASHUAISHIAUSH eu ri!
    Assim, mudando completamente de assunto, lembrei que comecei a escrever um conto também e parei na parte 1 mesmo! Queria seu talento e sua inspiração para continuar. Sua história tem muita emoção e tipo, dá pra imaginar muuuuito as cenas, sabe?
    Tô adorando!!

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    Respostas
    1. Seeei, é aquele do trevo, né? Amei aquele comecinho e você nos deixou no vácuo eterno, mocinha u_u uahuaha Faz favô de continuar pra eu ler, ok? Obrigadinha s2 ahauaha

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  5. fran, você devia escrever um livro, sério. tenho certeza que eu compraria.
    a historia ta ficando tão boa, sempre com um gostinho de quero mais, sempre fico ansiosa pra saber o que vai acontecer. AAAAAAAAH!!!! que nervoso HUAHAUHAUAHUAH
    beijos

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    1. Olha, quando eu escrever, quero que você compre ok u_u AUAHUAHUAHA ainda bem que está gostando, é muito importante pra mim <3

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  6. Eu admiro quem escreve tão bem assim
    Se eu tive-se esse talento ( mais ou menos sai um texto ) hehe
    Você consegue deixa a gente curiosa pra ler a próxima parte

    Bjoos

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    1. Own, obrigada pelo elogio e espero que esteja gostando <3

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  7. estou adorando o conto.
    e pra ter noção tenho todos capítulos guardadinhos no pc meu.
    *-*
    você e muita boa escritora.
    Por favor nunca pare com isso ok
    rs

    Beijos

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    Respostas
    1. Sério? Ah para, não me iluda assim fazendo-me pensar que meu conto é tão importante HUAHAUHAUAHUAHUAHA mas obrigada <33 Nunca vou parar, desde que vocês estejam comigo kkk (sendo filosofa)

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