26 setembro 2013

Conto: Efeitos do Destino- Parte 11

Naquela noite eu demorei pra dormir, estava em êxtase com tudo e pensando loucamente no Andrew, parecia uma virgem louca aos 40 anos. Fiquei esperando que ele me mandasse sms, mas não recebi nada. Nunca me importei com o fato de Andrew não ser tão atencioso, ele até era bem... Bem fofo em alguns momentos e sempre o cara legal cheio de piadas que animava meus dias caóticos, mas nunca deu um de super namorado romântico. Nunca havia me dado flores ou feito uma surpresa emocionante digna de ser contada, não passava o dia me enviando mensagens e nem me surpreendia no meio da tarde dizendo que estava pensando em mim. Nada dessas atitudes de gente normal, Andrew era na dele e pela primeira vez na vida fiquei incomodada com sua falta de atenção. Ele deveria ter perguntado se eu estava bem, se ninguém tinha entrado na minha casa a mão armada, se conseguia ficar sozinha depois do filme- eu não devia ter lembrado o filme. Pensei em mandar algo como “boa noite” e até mesmo fazer uma piadinha inteligente sobre o ocorrido (a quase primeira vez), porém por volta das duas horas da madrugada rebatendo comigo mesma se mandava ou não, me perdi nos meus delírios e dormi. Não sonhei com nenhum demônio ou meu pai me encarando, foi pior. Sonhei que eu e Andrew estávamos nus e sua mãe abria a porta do quarto escandalizada. Deveria me punir por isso, era um horror pensar nesse assunto e eu não tinha a mente poluída. 
No sábado de manhã passei no The Skyfall para comprar um bolinho e voltei pra casa esperando uma novidade cair do céu enquanto trocava de canal procurando algo interessante para assistir. Parei em um documentário sobre cadeia alimentar, um leão estava observando sua presa, uma zebra, e preparando-se para atacá-la. Ele caminhou lentamente até ela tomando o máximo de cuidado possível- leões são fascinantes- e de repente adeus zebrinha. O leão abocanhou parte dela e em pouco tempo a devorava. Os mais fortes vencem os mais fracos, é a lei da vida. Mudei de canal novamente e comecei a ver um reality, adorava esses programas bobos. E então sem querer meus pensamentos voltaram para o momento “quase lá” e pude sentir todos os gestos de Andrew e seu carinho, o modo como tudo entre nós fluía naturalmente quando queria e não pude deixar de sorrir passando o dedo polegar sob meus lábios. Realmente havia ficado maluca de uma hora pra outra. 
Sexo, segundo minha mãe, era mais importante para uma mulher do que para um homem. Enquanto ela podia fazê-lo com qualquer um que encontrasse, vivia dando uma de santa dizendo que eu precisava escolher a dedo meu parceiro e que a primeira vez seria a maior entrega da minha vida, pois nunca iria me esquecer. Minhas amigas já tinham passado essa etapa de suas vidas, Cath em um estacionamento e Jennifer nunca havia tocado no assunto, mas sua ficha não era boa. Eu me sentia atrasada, no entanto sabia que precisava esperar a hora certa e se fosse com Andrew, acharia lindo. Nisso lembrei que precisava ligar para a Catherine. Liguei em sua casa para que ela atendesse:
- Alô?- disse uma voz séria.
- Oi, tudo bem? Queria falar com a Cath. – tentei reconhecer a voz, mas não consegui.
- Ah, oi. Aqui é o irmão dela. – Cath tinha um irmão?
- Irmão? Eu liguei certo? É da casa da Catherine, né?- perguntei confusa.
- Sim, - ele riu- ela está dormindo. Sou o meio irmão dela, Jared. 
- Meio irmão... Hum. Então meio irmão da Cath que eu nunca ouvi falar, - ri cautelosamente- você pode pedir que ela me ligue assim que acordar?
- E quem é?
- Desculpe. É a Lauren, uma amiga. – agora me sentia constrangida. 
- Ok. Vou avisar. Mas não crie expectativas, pela hora que ela chegou vai demorar a acordar. 
- Imagino. Mas não tem problema, não se preocupe porque não é nada sério. 
- Então tá. – isso era o típico “tchau” disfarçado.
- Obrigada, tchau. - não sei se ele respondeu, desliguei o telefone e pensei que deveria parar com essa mania de desligar na cara das pessoas, era falta de educação. Dei de ombros e continuei assistindo TV pensando em que momento de nossas vidas Cath ganhara um irmão e nem comentou nada. Um meio irmão era motivo de conversa, lógico que era, e ela não disse um “A” sobre isso. Cath tinha um segredinho e eu iria descobrir. Que tipo de amiga é essa? E que sábado mais tedioso, imaginei que todos estivessem envolvidos em preparativos para a festa- a maldita festa. E suspirei ao pensar que era quase minha obrigação estar presente, primeiro por ser uma festa da escola, segundo por minhas amigas e terceiro por Andrew, não tinha escapatória. 
Eu precisava conversar com alguém, nem que fosse com o Lion. Ah, Lion era meu cachorro, mas ele vivia na rua e só aparecia em casa quando estava com fome. Liguei para o celular do Andrew e estava desligado, o que me irritou profundamente. Continuei sozinha e neurótica roendo minhas unhas pelo resto do dia, até que a santa Jennifer bateu sem parar na porta chamando meu nome:
- Lauren, Lauren, Lauren, Lauren- dizia cantarolando.
Abri a porta e ela estava com uma máscara verde no rosto, uma touca no cabelo e na mão um nécessaire gigante, na outra um saco com roupa. Pensei por um momento, mas como era a Jennifer tudo era possível:
- O que é isso tudo, Incrível Hulk? – não podia perder a piada.
- Dia de SPA das meninas. – respondeu animada.
- Tá brincando, né? – odiava essas frescuras.
- Ai Lau, deixe-me entrar logo porque foi um sacrifício chegar até aqui com essa máscara de argila, sorte que não tinha muita gente na rua e vim quase correndo. – ela disse como se fosse a maior conquista de sua vida. 
- Entra logo, não tenho outra opção mesmo. – ela já estava na sala.
- Então, o que fez ontem? – perguntou com receio após sentar no sofá- Saiu?
- Não, Andrew veio aqui e só. – apesar de gostar muito dela, sabia que Jennifer não era a confiança em pessoa. – E você?
- Vi o Matt um pouco, não sei se vou continuar ficando com ele.
- Por que? – Matt era um dos dez casos dela e um coitado, gostava de Jennifer mesmo sabendo que ela ficava com todo mundo.
- Ah sei lá, cansei. Vamos subir? Preciso deixar meu vestido na cama e você mocinha, vai entrar na minha onda e seremos os Hulks do dia. 
- Você tem noção de horas? Ainda são seis da tarde e vamos sair depois das onze. 
- Eu sei, eu sei. Mas vai ser legal, vamos até fazer as unhas. – suplicou fazendo uma cara triste.
- Ta, ta. Vou deixar você ter a sua tarde. – mais uma coisa sem escapatória, suspirei.
- Eu sabia que você iria aceitar. – e subiu escada acima como uma fadinha. 
Comecei a subir a escada desanimadamente e o telefone tocou. Podia ser a Cath, minha mãe ou o Andrew. Queria que fosse ele e saí em um disparo atender:
- Oi- disse com a respiração acelerada.
- Você sabia que ligar para a casa de alguém às 10h da madrugada é um crime?
- É você, amiga. – não pude esconder o desapontamento.
- É, deram o recado. O que você está fazendo? 
- Ah, nada de mais, estou em casa. - foi ai que tive uma brilhante ideia- Cath, vem pra cá, a Jennifer está aqui e preciso da sua ajuda, acho que ela está pirada.
- Eu estou ouvindo tudo- gritou Jen da ponta da escada.
- Vem logo, Cath. Tchau – desliguei o telefone e me virei para a Jen- Tarde das meninas!!!- joguei os braços para cima e fingi uma coreografia de equipe de torcida.

Continua.

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2 comentários:

  1. A senhora está muito safada, as fotos são só as partes debaixo, a mãe sabe disso ?
    "No sábado de manhã passei no The Skyfall para comprar um bolinho" ri muito com isso kkkkkk
    Lau é muito bicho do mato, de um jeito nesse menina u.u e uns calmantes também kkkk Não curti que o MEU And não apareceu u.u

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    Respostas
    1. KKKKKKKKKKKK é pra não mostrar a cara dela e alimentar a imaginação de vocês lalalala Por que você riu? kkkkkk agora ri também e nem sei porque kkk ela é louca. Tá precisando de uns tapas e esquece o Andrew, ele é um cretino u_u

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