27 agosto 2013

Conto: Efeitos do Destino- Parte 3

VEJA A PARTE 1 e 2.
Explosões como aquelas em formas de cogumelo, borboletas voando pra lá e pra cá, mais explosões, corações, momentos borrados, cenários, frio e calor, outono, verão passado, viagens, olhares e sorrisos antigos, tudo o que evitei nos últimos meses passaram pela minha mente e na mesma hora a informação foi para o resto do corpo. Oh pernas, não tremam e não se atrevam a vir lágrimas. Respira, respira, respira. O que eu poderia dizer? Não queria e não devia deixar que ele causasse algum efeito no meu psicológico ou que sentisse uma brecha para me manipular como sempre fez, porque se tem algo que o Andrew sabe fazer, é manipular. Hesitei um pouco e como não tinha mais nada, optei pela mais bela das respostas:
- Hum.
- “Hum”? É “hum” que você me diz?- perguntou com raiva e ao mesmo tempo com um tom suplicante.
- Tem algo a mais que eu possa dizer?- especulei com frieza.
- Não sei- ótimo, agora ele tinha esquecido o “sei lá”- Diga que sente o mesmo, não, não diga. Eu quero voltar com você, penso nisso todos os dias. Mas você sabe do nosso “problema”.
- Pro-ble-ma?- só não soletrei a palavra inteira porque soaria infantil- Nosso problema? Esse problema é MEU e nós já conversamos sobre isso.
- Lauren, você está equivocada. Precisa pensar melhor a respeito, entenda que nós não...
- Não existe “nós”. Existe eu, a Muralha da China, o Oceano, uma cerca de arame e aí você. Percebeu a distância? Não que seja geograficamente correto, mas deu pra entender?- eu queria enforcá-lo ali mesmo, mas dizem que palavras machucam mais.
- Cara, você não muda mesmo. Você tem noção do quanto tem sido... Difícil? Não, não tem. Se tivesse na o ficaria fazendo piadinhas. Você só olha para o seu umbigo e no sentido literal. Jogou tudo fora por... Por um capricho infantil. Você sempre foi tão inteligente, não parece agora.
Foi ai que ele despejou o que deveria estar há dias planejando falar, eu não sabia se chorava ou se continuava mantendo a máscara fria, eu não sabia nem ao menos o que falar para aquela atitude imbecil.
- Vamos lá, senhora Lauren. Defenda-se. Você terminou tudo sem nem ao menos ter uma conversa, não tentou compreender que agora, nesse momento das nossas vidas, não dá. – parou por meio segundo para respirar- E se você me amasse como sempre disse, teria ficado do meu lado.
Meu coração dilacerou-se quando ele disse aquilo, quanto egoísmo em uma só pessoa, minha mãos tremiam de raiva, mas continuei firme como quem diz “eu não ligo pra você e não estou ouvindo nada”, quase fiz uma careta também:
- Andrew. Primeiro não diga mais nada. Eu não sai de casa pra ouvir essas besteiras. Sei que não tem sido fácil, eu sei de tudo isso porque passo pelo mesmo todos os dias e não me refiro a apenas nós dois, mas sim a tudo que está acontecendo. E não é o momento para fazer uma cena, certo? Não dá mais, é tarde e olha, o problema não sou eu, é você. – costumava ser diferente essa frase- Eu me recuso a fazer o que você quer, pois ao contrário do que disse, não é nenhum capricho. Já tomei minha decisão, ponto final.
- Lá vem você de novo. Olha só, você não tem ideia do erro que está cometendo. Se ao menos desse uma chance e pensasse nas consequências, no futuro... Se me ouvisse saberia que é a melhor saída para nós dois.
- Já houve uma saída, caso não tenha percebido. Por favor, chega.
Seu rosto passou por todas as cores possíveis e parou em um vermelho. Era raiva e eu estava ficando com medo:
- Eu, eu amo você e quero voltar, mas não quero assim.
Não pude conter o riso. Gargalhei na cara dele e completei:
- Você acha que eu sou a imbecil que você conheceu antes? Poupe-me, eu não quero voltar atrás e cansei de toda essa ladainha, Andrew. Você é ridículo e não sabe de nada, uma criança criada pelos pais que acha que o dinheiro resolve tudo. Aceite que acabou, aceite a minha escolha, como eu aceitei a sua em não fazer parte de... Como é mesmo? Desse “problema”- falei cada palavra medindo a tonalidade exata para ele ver meu desprezo.
- Como você pode ser assim?
- Como eu posso ser assim? Você já parou para pensar na ideia absurda que teve e ainda pretende que eu siga? Está me dizendo que quer ficar comigo, mas eu não vou ficar com a condição que me impôs e também porque não quero ficar com alguém tão prematuro.-Ele estava enfurecido e eu me perguntei se doeria muito levar um bolo na cara- E tem mais. Se você não quer ou não pode arcar com as consequências, deixe-me fazê-lo sozinha. Não estou implorando nada.
- Quanta besteira. Quer saber? Tudo bem então- “tudo bem então”? Depois da ceninha exagerada ele iria concluir com “tudo bem então”? Mais que imbecil. – Se tem a intenção de levar isso adiante, o problema é seu.
- Chega.
Ele soltou a sacola na mesa.
- Você precisa ouvir a verdade, porque estou me remoendo desde aquele dia que era para ser normal como qualquer outro senão fosse por...
- O quê?
- Por sua maldita ideia de ter esse filho.

Continua.

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3 comentários:

  1. " Não existe “nós”. Existe eu, a Muralha da China, o Oceano, uma cerca de arame e aí você. Percebeu a distância? " tão eu *-* kkkkk Amando cada vez mais, mas adianta uma pequena coisa? Eles voltam ? quero saber u.u kkkk Posso ser a capa do livro? U_U brincadeira kk ñ ia vender nenhum kkk Beijos mana e continue logo =D sempre pense "tenho que postar logo a próxima parte pq a Vanessa tem o meu endereço" <3

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    Respostas
    1. Gostou da piadinha, né huahuahuahauhua Eu não vou adiantar nada lalala Só vou dizer que não é o que você tá pensando kkkkk Vou colocar sua foto de tigresa na capa e vender horrores para os novinhos kkk

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    2. irmã má kkkkkkk os novinho pira nas tigresas kkkk

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