23 abril 2013

Foi você quem quis assim.


“Nosso lance está ficando sério demais e eu não estou preparado para um relacionamento assim, cara. Mas não quero terminar totalmente, podemos dar um tempo”. Foi o que ele disse. Foi dessa desculpinha esfarrapada que eu ri ironicamente antes do “você realmente precisa crescer” e da minha saída indiferente. Por pelo menos um mês eu repassei essa frase e outras milhões de outras coisas sobre nós dois em minha mente buscando onde estava o erro. Por que você não queria mais ficar comigo? Por que não havia dado certo? Por que eu ainda te amava? Por que você ainda não estava arrependido ou não tinha voltado atrás? Você nunca mais telefonou, nem mandou sms e um dia desses acordei e nossa, quem era mesmo você? Foi uma surpresa, achei que seria um desamor passageiro e que logo voltaria a sonhar contigo, mas não é que era de verdade mesmo? Estava tão acostumada a sofrer por ti que quando acabou nem parecia ter acontecido. E aí tanta coisa mudou, sabe? Hoje não estou mais afundada em livros procurando me esconder do mundo, não estou ouvindo músicas dramáticas pra ajudar na tristeza e muito menos passando por alguns lugares só pra te ver, não olho suas redes sociais e nem estou fazendo esforço pra te esquecer, porque hoje eu consegui meu bem. Hoje estou saindo com minhas novas amigas, fazendo coisas diferentes do habitual, renovei meu guarda roupa com looks da moda e entrei na academia. Típico. Mulheres fazem isso. Estou usando mais rímel e batom vermelho, tô de riso frouxo e até tingi meu cabelo. Comprei um sapato novo, um delineador que dá um olhar 43 e um perfume da Carolina Herrera, tem cheiro de frutas vermelhas e combina mais comigo do que aquele lavanda que você gostava. Estranho não é? Logo eu que me camuflava naquelas roupinhas sem graça, o óculos quadrado e a vergonha estampada. Hoje mudei tanto que deveria até mudar de nome, um que causasse mais impacto, o que acha? Sei lá né. E o melhor de tudo é ver que não mudei pra chamar sua atenção, mudei por instinto, acho que sou um paradoxo feminino, uma metamorfose ambulante... O que me fez lembrar que já perdi meu medo por borboletas, acredita? Estou tão mais segura e confiante agora, decidi que romances não são mais a minha praia e que o problema da paixão é TPM demais. Lembra-se daquele seu “tempo”? Desculpe, tomei a liberdade de prorrogá-lo para sempre. Peguei todas tuas coisas, desde a lembrança mais remota até aquela sua camisa dos Rolling Stones e joguei pela janela. Hoje, eu e a decoração do meu quarto estamos modernas demais pra continuar mantendo partes de você. É cara, hoje não sou mais alguém que tá afim de um relacionamento de filme americano ou qualquer coisa do gênero e se for pra namorar vai ser comigo mesma. Pois é, criei o tal do amor próprio. Fechei-me para o amor, e não foi por ler demais textos da Tati Bernardi ou por ouvir meu pai dizendo que homem não presta na tentativa de que eu não queira nenhum de vocês, mas sim porque às vezes precisamos tomar medidas de segurança.Você entende, né? E quem sabe algum dia apareça alguém que insista em atravessar os limites que impus- nunca se sabe- alguém que resgate os sentimentos perdidos e me mostre que um fora não é caso de vida ou morte. Mas até lá... Até lá eu ainda vou ter outros assuntos para me distrair e mais dessa nova vida pra viver que, me perdoe pela grosseria, mas é bem melhor sem você.



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