23 abril 2013

O que restou de nós.


Ainda fico tentando te decifrar, entender tuas entre linhas e o que rolou entre nós, aliás, o que não rolou entre nós. Pois é Marcus, eu me lembro dos teus sinais, além da amizade você deixava transparecer algo a mais; Eram sorrisos, olhares, indiretas e mais olhares, mas é só disso que me lembro, você sabe que essas informações são poucas né? Você sempre foi difícil de compreender e eu sei que não fantasiei nada, era real o que sentíamos. A gente se dava tão bem, nossas risadas eram sincronizadas e tu entendia minhas piadas sem graça, assim como eu entendia as suas. Tinha grandes chances de dar certo, os números estavam a nosso favor e até química existia. Você sabia tudo a meu respeito e não se importou em me contar teus defeitos, conversávamos durante horas sobre nossos filmes e séries favoritas, você me ensinou os princípios pra tocar guitarra e eu esqueci no outro dia. Você até me deixou jogar no player um do teu vídeo game algumas vezes. Você gostava de verde e eu vermelho, você odiava super heróis e eu acreditava em todos eles. Ainda me lembro do DVD dos Vingadores que você me deu no dia das crianças do ano passado com o intuito de ser engraçadinho e fazer piadas comigo. Tá vendo? Você podia brincar sobre meu tamanho, falar mal do meu cabelo ou dos meus suéteres e eu nunca ficava brava, a gente se dava tão bem... Mas um dia como se alguém apertasse o "stop" da nosso filme, acabou tudo e o pior, pela metade. Eu sempre odiei coisas pela metade e você sabia, entretanto fez questão de deixar nosso caso bem mal resolvido. Você não apareceu mais, não ligou mais e de repente eu não era "mais", era menos. Encontramos-nos por obra do destino algumas vezes e tu fingiu que nem viu, passou a me ignorar sem motivo nenhum e eu remoí cada detalhe procurando o que havia acontecido, porém não encontrei. Você virou incógnita e eu nunca entendi muito bem de equações, você também sabia disso. Tu me prometeu tantas coisas, coisas absurdas como escalar o Everest, mas eu inocentemente acreditei em tudo. Acreditei porquê de certa forma tu me passava segurança e eu sabia que contigo seria diferente, mas não foi e ai só restaram controversas. Nem um tchau você disse, uma carta qualquer, um e-mail casual, um recadinho pelos nossos amigos. Mas pensando bem foi melhor assim, pois nunca gostei de despedidas, desculpas, "não é você, sou eu", beijinhos sínicos no rosto, "vamos ser amigos", abraços e adeus. Acho que por isso você foi embora sem explicações, você realmente me conhecia, não é? E até hoje me perco nas nossas lembranças. Rasguei nossas fotos em um momento de rebeldia, mas tua imagem ainda está nítida em minha mente e teu sorriso nunca deixou de ser o mais lindo, mas é só isso que ficou de você. Só isso e o filme dos Vingadores. Você ainda se lembra? Ele foi o único laço que ficou entre nós desde o verão passado e não me pergunte por que não o joguei fora junto com os outros presentes. Eu vou mentir dizendo que esqueci ou que edições de coleção são difíceis de encontrar, mas a verdade é que sempre que o assisto posso te ver, mesmo que em um borrão, sentado no sofá dizendo que super poderes eram coisas de criancinhas e que eu era uma delas. E por isso não me desfiz dele Marcus, porque às vezes eu gosto de voltar a ser a sua criança que tu gostava tanto de cuidar.




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